Ronco e apneia do sono: quando o ronco não é normal
Por Dra. Mirelle Limp Boa Vida, otorrino em Campinas ·
Resposta rápida
O ronco acontece quando o ar passa com dificuldade pelo nariz e pela garganta durante o sono e faz os tecidos vibrarem. Quando vem acompanhado de pausas na respiração, engasgos ou cansaço durante o dia, pode ser apneia obstrutiva do sono, uma condição que afeta a saúde e merece avaliação.
Roncar de vez em quando, depois de um dia cansativo ou de uma gripe, é comum. Mas o ronco de todas as noites, alto e com pausas na respiração, não deve ser considerado normal. Ele pode ser o sinal mais visível da apneia obstrutiva do sono.
Por que a gente ronca
Durante o sono, os músculos da garganta relaxam e a passagem do ar fica mais estreita. Quando o ar encontra resistência, os tecidos vibram e produzem o ronco. Alguns fatores deixam essa passagem ainda mais apertada:
- nariz entupido, por rinite, desvio de septo ou pólipos nasais;
- amígdalas e adenoides aumentadas, principalmente em crianças;
- excesso de peso, que aumenta o volume de tecido ao redor da garganta;
- álcool e remédios para dormir, que relaxam ainda mais a musculatura;
- dormir de barriga para cima.
Ronco ou apneia?
Na apneia obstrutiva do sono, a passagem do ar se fecha parcial ou totalmente por alguns segundos, várias vezes durante a noite. A respiração para, o oxigênio cai e o cérebro desperta rapidamente para retomar a respiração, muitas vezes sem que a pessoa perceba. O resultado é um sono fragmentado, que não descansa.
A apneia é mais comum do que se imagina. O estudo Episono, feito na cidade de São Paulo e publicado em 2010, encontrou apneia obstrutiva do sono em cerca de 1 em cada 3 adultos.
Sinais de que o ronco pode ser apneia
- pausas na respiração ou engasgos percebidos por quem dorme ao lado;
- sonolência durante o dia, inclusive ao dirigir;
- acordar cansado, mesmo depois de dormir muitas horas;
- dor de cabeça ao acordar;
- dificuldade de concentração, esquecimentos e irritabilidade;
- acordar várias vezes à noite para urinar;
- boca seca ao acordar.
Por que a apneia merece tratamento
Além de roubar a qualidade do sono, a apneia sem tratamento está associada a maior risco de pressão alta, doenças do coração e AVC. A sonolência durante o dia também aumenta o risco de acidentes, especialmente no trânsito.
Ronco em crianças
Ronco frequente na infância pode ser sinal de apneia obstrutiva do sono. Na maioria das vezes, está ligado a amígdalas ou adenoides aumentadas. Fique atento se a criança respira pela boca, dorme agitada, tem pausas na respiração, acorda cansada ou apresenta desatenção e irritabilidade durante o dia. Um diagnóstico cedo garante um sono de qualidade, que é essencial para o desenvolvimento.
Como o otorrino avalia o ronco
O otorrino investiga onde está a obstrução. A consulta inclui a história do sono e o exame do nariz e da garganta. A videonasofibrolaringoscopia, feita com uma câmera fina, permite ver as vias aéreas por dentro e identificar desvio de septo, pólipos, aumento de adenoides e outras causas.
Para confirmar a apneia e medir a gravidade, o exame indicado é a polissonografia, que registra a respiração, o oxigênio e o sono durante a noite.
Tratamento
A escolha depende da causa e da gravidade. Os caminhos mais comuns são:
- mudanças de hábito, como perder peso, evitar álcool à noite e ajustar a posição de dormir;
- tratar o nariz, controlando a rinite ou corrigindo alterações como o desvio de septo;
- CPAP, aparelho que mantém a passagem do ar aberta durante o sono;
- aparelho intraoral, feito com dentista, em casos selecionados;
- cirurgia, quando há uma causa anatômica, como amígdalas e adenoides aumentadas em crianças.
Se você ou alguém da sua casa ronca todas as noites, procure avaliação. Dormir bem também é cuidar da saúde.
Perguntas frequentes
Todo ronco é apneia?
Não. Muita gente ronca sem ter apneia. O sinal de alerta é o ronco vir junto com pausas na respiração, engasgos ou cansaço e sonolência durante o dia.
Qual exame confirma a apneia do sono?
A polissonografia, o exame do sono, confirma a apneia e mostra a gravidade. O otorrino avalia o nariz e a garganta para entender o que está dificultando a passagem do ar.
Criança que ronca precisa de avaliação?
Sim. Ronco frequente na infância não deve ser considerado normal e muitas vezes está ligado a amígdalas ou adenoides aumentadas.
Apneia do sono tem tratamento?
Tem. As opções vão de mudanças de hábito e tratamento do nariz até o uso de CPAP, aparelho intraoral ou cirurgia em casos selecionados, conforme a causa e a gravidade.
Tem esse sintoma com frequência? Procure avaliação.
Agende sua consulta com a Dra. Mirelle em Campinas.
Conteúdo informativo. Não substitui a consulta médica: só a avaliação individual permite diagnóstico e tratamento. Em caso de sintomas súbitos ou intensos, procure um pronto atendimento.
